Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou um reajuste de até 5,11% nos planos de saúde individuais e familiares, um aumento que inevitavelmente impactará os bolsos dos brasileiros que buscam proteção e acesso à saúde privada. A decisão, aprovada nesta sexta-feira (29), reflete a crescente pressão sobre as operadoras de saúde, mas sem considerar adequadamente as reais dificuldades financeiras enfrentadas por muitos consumidores.

Segundo a Gazeta do Povo, o percentual máximo, justificado pelo aumento dos custos médicos, uso dos serviços e inflação do setor, é, segundo a própria ANS, o menor desde a implementação da metodologia em 2019. O diretor-presidente da agência, Wadih Damous, alega buscar o equilíbrio entre a sustentabilidade do setor e a capacidade de pagamento dos beneficiários, uma argumentação que soa vazia diante da constante e desnecessária burocracia que impede a real contenção de custos no setor.

A metodologia de cálculo da ANS, que atribui 80% ao Índice de Valor das Despesas Assistenciais (IVDA) e 20% ao IPCA (inflação oficial sem o plano de saúde), demonstra uma preocupação superficial com a realidade. O IVDA, com seus componentes – variação das despesas médicas, receita das operadoras por faixa etária e ganhos de eficiência – é um instrumento complexo e, frequentemente, utilizado para mascarar práticas abusivas por parte das operadoras.

É crucial que os consumidores acompanhem de perto seus boletos, como recomendação da própria ANS, para verificar se o reajuste aplicado pelas operadoras respeita o teto de 5,11%. A agência ressalva que a cobrança só poderá ocorrer no mês de aniversário do contrato, mas a complexidade do sistema de reajustes, somada à falta de transparência, pode levar a cobranças retroativas, gerando transtornos e incertezas para a população.

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