Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo do Descondenado-em-chefe não perdeu tempo. Mal o relatório do USTR havia sido publicado e a máquina de propaganda lulopetista já havia encontrado o culpado perfeito: Flávio Bolsonaro. A tese é a seguinte —a ameaça de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros seria consequência direta da viagem do senador aos Estados Unidos, onde articulou a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Flávio, portanto, teria sido um traidor da pátria. O Descondenado chegou a emitir um “salve” clamando por seu enforcamento — talvez confiante de que seus cachorros no mundo do crime ouviriam o apito.

Contra a mentira lulopetista—que sempre tem na velha imprensa prostituída um meio de se fazer espalhar —, convém, todavia, ler os relatórios. Sim, no plural. O documento principal do USTR tem 107 páginas e seis áreas de acusação. Nenhuma delas menciona Flávio Bolsonaro. Todas, porém, mencionam—com nomes, datas e números — as práticas do regime PT-STF que levaram Washington a classificar o Brasil, por meio do Secretário de Estado Marco Rubio, como nação “não-amigável”, ao lado de Venezuela, Nicarágua e Cuba.

O USTR afirma que tribunais brasileiros— leia-se Alexandre de Moraes e seus pares — emitiram ordens secretas determinando que empresas norte-americanas, como X, Meta, Google e Rumble, removessem conteúdo político, suspendessem perfis de residentes norte-americanos, inclusive com alcance global, sob pena de multas milionárias e bloqueio de ativos. O X foi banido do Brasil por dois meses. O Rumble continua suspenso desde fevereiro de 2025. As ordens foram secretas— conhecidas pelas empresas, mas proibidas de ser divulgadas aos usuários afetados. O relatório qualifica a prática de “irrazoável” e restritiva ao comércio norte-americano. No português claro, a prática configura censura, patrocinada ilegalmente pelo Estado brasileiro contra empresas e cidadãos norte-americanos.

O relatório também menciona, sem eufemismos, o desmonte da Lava Jato. A decisão do ministro Dias Toffoli de anular as provas do maior esquema de corrupção transnacional da história— incluindo o caso Odebrecht —, levando ao cancelamento de mais de cem processos, é descrita como a “violação mais grave da Convenção Antissuborno da OCDE” cometida pelo Brasil. A renegociação opaca dos acordos de leniência, conduzida sem transparência e com conflitos de interesse flagrantes, recebeu condenação formal da Organização dos Estados Americanos. O resultado prático: empresas norte-americanas, sujeitas à severa legislação anticorrupção federal (FCPA), competem em desvantagem com concorrentes que operam impunemente num ambiente de corrupão institucionalizada e protegida pelo Supremo Tribunal Federal— o mesmo partido-Corte responsável pelos crimes de censura transnacional mencionados.

Icone Tag

Possui alguma informação importante para uma reportagem?

Seu conhecimento pode ser a peça-chave para uma matéria relevante. Envie sua contribuição agora mesmo e faça a diferença.

Enviar sugestão de pauta