Reprodução/TV Globo

A investigação em curso, liderada pela Polícia Federal, lança luz sobre uma série de movimentações financeiras envolvendo fundos de previdência de diversos estados e municípios, levantando sérias questionagens sobre a gestão de recursos públicos e possíveis irregularidades. Segundo a Revista Oeste, a apuração se concentra em operações que totalizaram R$ 3,9 bilhões investidos no Banco Master, com o objetivo de identificar qualquer forma de pressão política ou descumprimento de critérios técnicos que possam ter facilitado esses aportes.

O caso mais recente, envolvendo o Rio de Janeiro, revela um padrão preocupante, com investigações que abrangem aplicações de R$ 2,01 bilhões realizadas a partir de julho de 2024 pelo Rioprevidência. A situação é ainda mais grave com a revelação de que o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) manteve uma “ligação pessoal estreita” com Daniel Vorcaro, o banqueiro que desempenhou um papel central nas operações do Master. A Polícia Federal apura evidências de que a liberação dos investimentos dependia de tratativas diretas com Castro, evidenciadas por mensagens encontradas no celular de Vorcaro, o que corrobora a suspeita de que decisões políticas estavam sendo priorizadas em detrimento da segurança dos recursos previdenciários.

A apuração não se limita ao estado do Rio de Janeiro. Na região amazônica, a Polícia Federal examina possíveis irregularidades em aplicações de R$ 390 milhões feitas pela Amazonprev, com a apreensão de documentos e a investigação do papel de Jocildo Silva Lemos, diretor-presidente do instituto e coordenador do Comitê de Investimentos, que foi indicado ao cargo por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. Alcolumbre, em sua declaração, enfatizou a necessidade de “tudo seja apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal”, uma postura que, no entanto, não elimina as dúvidas quanto à influência de figuras políticas em decisões de investimento.

Além das operações em estados como Rio de Janeiro e Amazonas, a Polícia Federal também investiga o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (SP), onde aportes de R$ 107 milhões foram feitos em letras financeiras do Banco Master, levantando questionamentos sobre a destinação dos recursos. A análise dos atos do instituto, que começou a investir no Master antes da completa regularização do banco, evidencia um risco sistêmico e a necessidade de um rigoroso controle sobre a aplicação de recursos previdenciários, garantindo a proteção dos servidores e seus benefícios.

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