O governo do Distrito Federal tem sido acusado de desvio e má gestão após uma investigação revelou que está cobrando R$ 1 milhão da ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), liderada pela empresária Karina Ferreira da Gama. A movimentação levanta sérias questões sobre a aplicação dos recursos públicos, especialmente considerando o envolvimento da organização com projetos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à produtora Dark Horse.
Segundo relatos obtidos por O Antagonista, problemas graves afetaram o projeto Steam Maker, que visava equipar escolas públicas do DF com laboratórios de robótica. A entrega dos equipamentos apresentou falhas evidentes – notebooks apresentavam defeitos, impressoras 3D não funcionavam adequadamente e os kits de robótica eram insuficientes –, gerando reclamações recorrentes por parte dos professores desde o ano passado. Além disso, a entidade responsável pela gestão do projeto não concluiu as prestações de contas referentes ao aditivo firmado em 2025, evidenciando uma total falta de responsabilidade fiscal e transparência na aplicação dos recursos estatais.
A situação se agrava ainda com a ligação entre Karina Ferreira da Gama – presidente do ICB – e a produtora por trás do filme Dark Horse, que celebra a trajetória política do ex-presidente Bolsonaro. Essa conexão levanta suspeitas sobre o uso de verbas públicas para financiar projetos ligados ao governo anterior, fomentando uma possível relação perversa entre recursos federais e interesses políticos específicos. A organização da ICB chegou a apresentar um contraponto às acusações, alegando que as atividades foram realizadas conforme planejado, mas essa versão não é suficiente para dissipar os questionamentos sobre o manejo dos milhões de reais investidos em um projeto com resultados tão desastrosos.
O governo do DF tem sinalizado sua intenção de reavaliar toda a execução do convênio e buscar recuperar o valor de R$ 1 milhão cobrado da ICB, além de investigar possíveis irregularidades adicionais. A postura adotada pelo Executivo demonstra uma resposta mais assertiva diante dos fatos, mas também evidencia a necessidade urgente de fortalecer os mecanismos de controle interno e externo para evitar que situações como essa se repitam – protegendo o dinheiro público do uso indevido em projetos com resultados questionáveis e ligações políticas controversas.









