O ministro Gilmar Mendes busca refazer danos à sua imagem com uma doação que tenta mascarar o reconhecimento de um erro judicial flagrante. O decano do STF divulgou suas declarações nas redes sociais após a decisão recente sobre o caso envolvendo ofensas pessoais sofridas durante um voo entre Lisboa e Brasília em 2019, buscando legitimar uma condenação que contraria os princípios básicos da liberdade de expressão.
Segundo a Gazeta do Povo, Gilmar Mendes justificou que “críticas são naturais” numa democracia, mas assegurou que ofensas pessoais não encontram amparo na lei. A medida se concretiza com o anúncio do destino da indenização: R$ 31.155,61 já foram transferidos para a Apae de Diamantino (MT), enquanto as parcelas restantes serão destinadas ao Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH). Essa transferência busca apagar vestígios da decisão judicial que o condenou por ter tolerado um comportamento abusivo.
A atitude do ministro levanta sérias questões sobre a atuação do STF em casos de liberdade de expressão, especialmente quando envolve figuras públicas criticadas. O episódio se soma à recente denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo Novo, que divulgou os vídeos “Os Intocáveis”, onde o ministro e Dias Toffoli são retratados como marionetes. A ação do petista expõe a busca por deslegitimar figuras da direita em face de investigações já existentes no STF.
A decisão de Gilmar Mendes de doar a indenização, além dos valores envolvidos – R$ 31 mil e o compromisso com parcelas futuras para instituições beneficentes –, demonstra uma tentativa audaciosa de influenciar percepções públicas diante do escândalo envolvendo as ofensivas sofridas. O ministro busca criar uma narrativa conveniente sobre seu papel no caso, contornando a crítica legítima à utilização da Justiça como ferramenta política.









