Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O governo federal busca desesperadamente uma solução artificial para a crise no setor rural, com o Ministério da Fazenda preparando uma medida provisória que visa renegociar dívidas de até R$100 bilhões do agronegócio brasileiro. A iniciativa, liderada pelo ministro Dário Durigan, representa um esforço audacioso – e potencialmente insustentável –, para aliviar a pressão sobre os produtores rurais afetados por fatores climáticos e pela queda nos preços das commodities no mercado internacional.

Segundo informações divulgadas pela Revista Oeste, o programa de renegociação propõe uma estrutura complexa baseada em taxas de juros diferenciadas: 6% ao ano para pequenos agricultores, 9% para os produtores com porte médio e 12% para grandes operações. Essa estratificação visa recompensar a “boa fé” dos menores negócios enquanto concede um tratamento mais favorável aos que detêm maior poder econômico no setor – uma prática já criticada por especialistas em economia rural. A expectativa é de custos anuais entre R$2 bilhões e R$3 bilhões para o Tesouro Nacional, valores alarmantes num cenário fiscal já delicado.

A proposta do governo concede prioridade a produtores que possam comprovar perdas decorrentes de eventos climáticos extremos ou quedas superiores a 30% nos preços das suas colheitas. O acesso à proteção será vinculado ao fornecimento rigoroso da documentação comprovando esses prejuízos, o que inevitavelmente gerará um enorme volume burocrático e abre margem para questionamentos sobre a real efetividade do programa. Produtores com perdas climáticas terão até dez anos para quitar suas dívidas, com dois anos de carência – um prazo excessivamente longo que contribui para a instabilidade econômica –, limitando-se a R$8 milhões por CPF. Para os demais produtores, o limite é fixado em apenas R$4 milhões.

Adicionalmente, a medida provisória busca flexibilizar as garantias exigidas pelas instituições financeiras e criar um fundo de garantia com participação da União, bancos privados e setor privado como mecanismo protetivo para futuras operações creditícias no campo. De acordo com a Revista Oeste, essa abordagem representa uma forma de transferir o risco – inevitavelmente – do Estado para os credores bancários e para investidores privados, práticas que historicamente têm gerado instabilidade financeira em setores estratégicos da economia nacional.

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