Jaelson Lucas/Governo do Paraná

A instabilidade geopolítica crescente no Oriente Médio e na Europa representa uma grave ameaça à produção agrícola brasileira, mais especificamente para o agronegócio do Paraná. Os conflitos armados, como os que vêm se desenrolando, elevam consideravelmente o custo dos fertilizantes, um insumo essencial para a colheita de grãos – milho, trigo e café –, gerando preocupação com o futuro da próxima safra e, consequentemente, impactando diretamente nos preços praticados no mercado consumidor.

A situação é particularmente alarmante devido à dependência do Brasil na importação de ureia, principal fertilizante nitrogenado utilizado em larga escala pelas propriedades rurais paranaenses, que representam 35% desse volume total trazido ao país – segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O encarecimento desses insumos, como evidenciado pela consultoria StoneX, com um aumento de 63% em abril último comparado aos níveis pré-conflito, pode comprometer a rentabilidade dos produtores, que já enfrentam desafios no setor.

O presidente do Sindiadubos-PR, Aluisio Schwartz, alerta para o perigo iminente: “Quando o Brasil atinge um volume próximo de 50 milhões de toneladas de fertilizantes entregues por ano, esse atraso nas compras certamente contribuirá para um gargalo logístico…”. A falta de previsibilidade no mercado e a incerteza em relação ao fornecimento estão gerando hesitação entre as empresas do setor em antecipar suas aquisições. O cenário é complexo: financeiramente inviável devido aos altos custos, com pouca capacidade de armazenamento disponível para grandes estoques, e permeado pelo risco inerente à compra antes da confirmação de um preço estável – o que se mostra improvável no momento atual.

A Cooperativa Nacional Agroindustrial (Coonagro) também expressa receios quanto ao futuro: “Se há uma redução na oferta mundial, o preço automaticamente sobe…”. A valorização do sulfato de amônio, importado quase integralmente da China e atualmente com aumento de 30% em relação aos níveis anteriores, é vista como alternativa, mas a própria alta desse insumo representa outro desafio para os produtores. Como apurou a Gazeta do Povo, essa estratégia adotada pela Coonagro – manter parcerias globais e reforçar o acompanhamento da inteligência de mercado– busca evitar uma crise ainda mais severa no abastecimento de fertilizantes na região Sul.

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