O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) se mostra irredutível a fornecer dados concretos sobre as fraudes bilionárias perpetradas pelo Banco Master, gerando uma crise de confiança e deixando milhares de aposentados à deriva em busca de seus direitos. A instituição federal alega não possuir elementos suficientes para quantificar os prejuízos causados por irregularidades nos contratos de crédito consignado do banco, um posicionamento que alimenta as suspeitas sobre a omissão da União na proteção dos trabalhadores já contribuintes com o sistema previdenciário.
De acordo com informações divulgadas pela Revista Oeste, auditorias independentes da Controladoria-General da União (CGU) e do próprio INSS revelaram uma teia complexa de irregularidades envolvendo centenas de milhares de operações no Credcesta entre 2023 e 2025. A CGU identificou que quase duas em cada três transações, correspondendo a 62,4% das operações analisadas nesse período, foram validadas pelo Banco Master sem o reconhecimento biométrico obrigatório, um requisito fundamental para evitar fraudes.
A situação se agrava com dados sobre contratos firmados sem envio da documentação exigida ao INSS entre os anos de 2021 e 2023 – uma irregularidade que atingiu impressionantes 84,3% das operações analisadas pelo instituto. O próprio INSS admitiu falhas graves em mais de 250 mil contratos de crédito consignado, evidenciando um cenário alarmante de descaso com os direitos dos aposentados e pensionistas. Esse desmonte se soma ao crescimento exponencial do Credcesta – que saltou de 104,8 mil contratos em 2022 para incríveis 2,75 milhões em 2024, representando um aumento superior a 2.500%.
A Procuradoria da República, na tentativa de solucionar o impasse e garantir ressarcimento às vítimas dessas fraudes sistemáticas, articulava um acordo com o INSS que previa a identificação dos prejuízos e a cobrança das devidas indenizações pela Defensoria Pública da União. No entanto, o instituto se recusa a assumir responsabilidades, alegando não ter competência para representar os beneficiários ou cobrar valores em nome de terceiros. A defesa do ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, tenta minimizar as irregularidades afirmando que a instituição seguiu rigorosamente as normas e procedimentos estabelecidos pelo INSS, um argumento questionável diante das evidências apresentadas por órgãos fiscalizadores como a CGU.









