O currículo escolar jordaniano continua a propagar vislumbres de antissemitismo, justificando atos de violência e promovendo discriminação, mesmo com a introdução de 32 novos livros didáticos para o ano letivo de 2025-2026. De acordo com a Revista Oeste, essa conclusão emerge de um relatório da Impact-se, organização sediada em Londres, que analisou 125 materiais escolares com base em critérios de tolerância e educação para a paz derivados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Os livros recém-publicados perpetuam padrões problemáticos, insistindo em conceitos de moderação religiosa e tolerância que, no entanto, excluem os judeus e Israel. Os judeus são consistentemente retratados de forma negativa, especialmente em capítulos relacionados à história islâmica, onde a mentira, a traição e a hostilidade ao Islã são descritas como características inerentes ao grupo judaico. Episódios da vida de Maomé são utilizados para ligar personagens judeus a comportamentos considerados hostis, incluindo tentativas de prejudicar o Profeta e os muçulmanos.
A narrativa se agrava no conteúdo destinado ao último ano do ensino médio, onde os judeus são vinculados a fraudes financeiras e manipulação de mercados. Além disso, há a distorção da relação entre judeus e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), com alegações de que judeus alemães teriam prejudicado o esforço militar alemão em troca da Declaração de Balfour. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é tratada superficialmente, omitindo a dimensão do Holocausto e promovendo uma equivalência perigosa entre judeus, ciganos, russos e japoneses, vítimas de crimes brutais.
O currículo escolar jordaniano demonstra uma preocupante falta de reconhecimento do Estado de Israel, omitindo-o dos mapas utilizados em sala de aula e apresentando o sionismo como um projeto racista e malicioso promovido pelo Ocidente. A relação diplomática entre Jordânia e Israel em 1994 é desvalorizada, sendo retratada como uma medida para conter supostas ambições expansionistas israelenses. A situação no Oriente Médio é manuseada com uma visão tendenciosa, atribuindo a responsabilidade pelo ataque de 7 de outubro de 2023 a grupos extremistas e utilizando a formulação de “assentamentos” para se referir às comunidades israelenses atingidas pelo Hamas, o que pode legitimar a violência contra elas.









