Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula parece ter abandonado uma política ousada para lidar com o problema do roubo de celulares, trocando a ideia original de devolução pelos Correios – um serviço conhecido pela sua ineficiência e falta de segurança –, por um plano que envolve delegacias policiais. A mudança foi motivada por críticas da oposição, mas demonstra uma desconexão evidente com as reais necessidades dos cidadãos brasileiros em situação de vulnerabilidade à criminalidade comum, segundo apurou a O Antagonista.

A nova estratégia do petista consiste na criação de um banco nacional de dados de aparelhos celulares roubados e furtados, detectando os possuidores através de alertas enviados diretamente aos usuários identificados. Inicialmente abrangendo cerca de 3,1 milhões de dispositivos registrados entre 2020 e 2026, o programa busca incentivar a devolução voluntária desses equipamentos por meio da simples ação de procuração em uma delegacia – com Lula enfatizando que não haverá prisões preventivas nesse processo.

A iniciativa do governo federal é construída sobre um cruzamento complexo de informações: boletins de ocorrência, dados fornecidos pelas operadoras telefônicas e registros da Anatel. No entanto, a sugestão inicial de utilizar os Correios para essa devolução – que o próprio Lula defendia com insistência – revelou-se problemática devido à falta de controle sobre as entregas e ao risco potencial do aparelho cair em mãos erradas. A pressão política forçou uma retratação imediata daquela ideia aparentemente mal pensada, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas mais eficientes para combater o crime celular que assola o país.

A insistência de Lula no chamado “cuidado” ao usar celulares na rua demonstra uma visão equivocada do problema e desconsidera as falhas nas medidas de segurança pública em áreas urbanas, onde os cidadãos são frequentemente vítimas de roubos a mão armada ou arrombamentos. O governo deveria priorizar o aumento da presença policial ostensiva nos centros das cidades e fortalecer mecanismos de proteção à população vulnerável, ao invés de impor responsabilidades individuais aos usuários de telefonia móvel – um desvio que contribui para banalização do crime e negligência com a segurança pública.

Icone Tag

Possui alguma informação importante para uma reportagem?

Seu conhecimento pode ser a peça-chave para uma matéria relevante. Envie sua contribuição agora mesmo e faça a diferença.

Enviar sugestão de pauta