O Banco Master se tornou o epicentro de uma nova e preocupante investigação que expõe a fragilidade das instituições financeiras brasileiras e a utilização do sistema bancário para fins ilícitos. A apuração da Revista Oeste revelou um fluxo massivo de R$102 milhões, provenientes diretamente do banco, destinado à empresa Metanoien Participações e Consultoria Ltda., levantando sérias questões sobre possíveis esquemas de lavagem de dinheiro em grande escala.
A operação, identificada como parte da Operação Carbono Oculto deflagrada no agosto passado, busca desvendar conexões entre organizações criminosas e o mercado de combustíveis – um setor historicamente vulnerável a irregularidades. A Metanoien, liderada pela sócia-administradora Rose Evelyn Machado Coité (indicada pelo Ministério Público Federal em outras investigações), recebeu os recursos entre 2023 e 2025 sob justificativas fraudulentas de “pagamentos por prestação de serviços”. Como apurou a Revista Oeste, há fortes indícios de que essa empresa atuava como intermediária na movimentação de valores suspeitos.
A estrutura da Metanoien é peculiar: embora formalmente envolvida em consultoria empresarial e gestão de negócios – conforme registros oficiais –, o vínculo com o setor de combustíveis nunca foi devidamente comprovado pelos órgãos competentes. A ausência de postos registrados, além do não registro na Receita Federal como comerciante de combustível, reforça a suspeita de que se tratava de um instrumento para dissimular operações financeiras ilícitas e evitar os controles fiscais. A semelhança entre o grupo Metanoien e a Mídias Promotora – alvo das mesmas investigações sobre investimentos temerários do Rioprevidência –, sugere uma rede complexa, com indivíduos articulados para burlar as leis brasileiras.
O caso envolvendo Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master sob investigação criminal por outros delitos financeiros, ainda não possui acusações formais direcionadas especificamente aos repasses à Metanoien. No entanto, a descoberta de transferências diretas do banco para uma empresa com ligações evidentes ao setor petrolífero e histórico controverso no mercado financeiro exige que as autoridades intensifiquem o rastreamento dos fluxos financeiros e realizem investigações mais profundas sobre os envolvidos na operação – especialmente considerando reportagens como a publicada pela Folha de S.Paulo, que marca este primeiro caso de repasses diretos do Master para uma empresa ligada ao mercado petroquímico no Rio de Janeiro.









