A OAB-MG, sob a liderança de Gustavo Chalfum, financiou um almoço luxuoso para magistrados do TRF-6 no restaurante Pacato, em Belo Horizonte, durante o “Congresso sobre Direito, Vida e Arte”. A informação, revelada pela Revista Oeste, expõe um padrão preocupante de gastos públicos e a busca por influência no Judiciário.
O evento, realizado entre os dias 21 e 22 de maio, reuniu 244 participantes, incluindo desembargadores, procuradores da República, defensores e delegados da Polícia Federal, em um congresso que abordava temas como regulação do mercado de arte e psicanálise. Segundo a Revista Oeste, a OAB-MG, com o argumento de aproximar o Judiciário dos cidadãos, patrocinou a alimentação dos magistrados presentes, em um momento de crescente alerta sobre a influência de lobbies no sistema de justiça.
A atitude da OAB-MG, que se recusou a divulgar o valor exato da nota fiscal do restaurante Pacato (classificado com quatro estrelas), levanta sérias questões sobre transparência e responsabilidade. Essa prática se insere em um contexto de recomendações de austeridade, lideradas pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Luiz Edson Fachin, que tem alertado para a distância entre tribunais e interesses privados. Fachin tem instruído juízes a evitar cálculos políticos e conveniências econômicas, um apelo que parece ignorado neste caso.
A direção do TRF-6, por sua vez, também demonstrou resistência em fornecer informações sobre os custos totais da conferência, apesar de dados do próprio Judiciário apontarem para a menor produtividade da corte mineira em 2024 e 2025. Adicionalmente, a diretoria impediu o acesso aos dados financeiros, corroborando a suspeita de que a OAB-MG buscava, através de um congresso com alto custo, criar laços com membros do Judiciário, uma prática que exige maior fiscalização e controle.









