Reprodução/Record TV

O desespero do pai de Henry Borel ecoa como um grito contra a justiça falha e o que ele considera uma clara impunidade. Leniel Borel demonstrou sua incredulidade diante da decisão judicial, declarando: “Mataram meu filho pela terceira vez”. A frase carregada de dor ressalta a frustração com o perdão concedido à mãe do menino, Monique Medeiros, por homicídio culposo.

Segundo a Revista Oeste, o conselho de sentença enquadrou Monique como culpada devido à omissão que permitiu a morte da criança. No entanto, a juíza Elizabeth Machado Louro aplicou um benefício inaceitável ao extinguir a pena, alegando aspectos relacionados à violência doméstica e uma suposta desigualdade no tratamento dado às mães em casos de agressão familiar – justificativas questionáveis diante das graves implicações do crime. Leniel rebateu com veemência essa lógica, argumentando que o veredito abre um precedente perigoso para a proteção de menores na legislação brasileira.

A situação se agrava ainda mais ao considerar o destino do ex-vereador Jairinho, condenado à pena de 43 anos e 9 meses em regime fechado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação. A decisão judicial demonstra uma aplicação da lei desproporcional – um contraste gritante com a leniência aplicada ao pai do crime, que não recebeu nenhuma condenação efetiva. Essa disparidade evidencia falhas no sistema processual penal brasileiro.

O caso de Henry Borel, ocorrido em março de 2021 quando o menino tinha apenas quatro anos, expôs uma vulnerabilidade extrema na proteção da infância e um grave descaso com a vida humana. A versão oficial do casal – que alegou uma queda da cama – foi desmentida por laudos periciais do Instituto Médico-Legal, os quais comprovaram que Henry sofreu fortes agressões físicas internas resultando no rompimento de seu fígado. O pagamento de R$ 400 mil em indenização a Leniel Borel é um gesto simbólico insuficiente para reparar o irreparável e não corrige a falha fundamental na proteção da criança pelo sistema judicial.

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