Reprodução de vídeo/Dark Horse

A Polícia Federal intensifica a investigação sobre o financiamento do documentário “Dark Horse”, desvendando uma teia de movimentações financeiras que envolvem figuras próximas ao ex-presidente Bolsonaro e seu filho Eduardo. Segundo apurou a O Antagonista, um fundo localizado no Texas – Havengate Development Fund –, recebeu recursos significativos da empresa vinculada ao antigo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, levantando sérias suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo milhões de reais.

A investigação central se concentra na possível utilização de R$ 61 milhões transferidos para o fundo por meio da Entre Investimentos e Participações – um desvio evidente dos fins declarados do financiamento do documentário sobre Jair Bolsonaro, cuja intenção seria expor supostas irregularidades durante a campanha presidencial. A suspeita é que parte desse dinheiro não se limitou à produção cinematográfica, mas sim serviu para cobrir gastos pessoais de Eduardo Bolsonaro, atualmente residente nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 – um período marcado por constantes críticas ao governo e tentativas de influência no cenário político americano.

A complexidade do caso ganha contornos ainda mais preocupantes com a identificação de Paulo Calixto como gestor financeiro desse fundo texano. Calixto possui histórico em áreas delicadas, incluindo o serviço da cidadania dos EUA e atuação no Departamento de Estado Americano – um envolvimento que alimenta as suspeitas sobre possíveis tentativas de mediar interesses envolvendo figuras do governo americano a favor de Eduardo Bolsonaro. Registros públicos demonstram até mesmo encontros entre ele e o ex-deputado em 2023, ampliando ainda mais os questionamentos quanto à natureza das transações financeiras investigadas.

Diante da gravidade dos fatos – e considerando que a PF já manifestou intenção de acionar a Justiça Americana –, a investigação pode ser direcionada para diversas instâncias judiciais. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sinalizou o potencial encaminhamento do caso ao ministro Alexandre de Moraes no STF, dada a complexidade das conexões e as tentativas evidentes de pressão sobre autoridades brasileiras. A PF também planeja recorrer à Difusão Prata da Interpol para bloqueio eventual patrimônio dos envolvidos – um instrumento que pode ser crucial na concretização desta apuração.

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