A paralisação abrupta dos voos nos aeroportos de São Paulo, envolvendo Congonhas e Guarulhos, expõe novamente a fragilidade da infraestrutura de controle aéreo do país, um problema crônico que afeta a segurança e a eficiência do transporte aéreo nacional. A interrupção, atribuída inicialmente por diversos órgãos a um “problema técnico operacional externo”, levanta sérias questionamentos sobre a qualidade dos equipamentos e da manutenção do Decea, responsável por coordenar o tráfego aéreo na região metropolitana.
Segundo a O Antagonista, a GRU Airport e a Aena, concessionárias dos aeroportos, apenas confirmaram a ocorrência de falhas no controle de aproximação e tráfego aéreo, sem fornecer detalhes sobre a origem exata do problema. A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Decea, minimizou a situação, alegando que as operações foram restabelecidas, mas a frequência dessas interrupções – já vista em abril com 36 minutos de paralisação em Congonhas – demonstra uma falha grave na gestão do espaço aéreo.
A justificativa da FAB de um “problema técnico operacional externo” carece de clareza e não oferece uma explicação robusta para a instabilidade que afeta o setor. É evidente que a falta de investimento em modernização e na manutenção preventiva do sistema de controle aéreo contribui para essa vulnerabilidade, gerando transtornos para milhares de passageiros e impactando a economia local. A dependência de equipamentos obsoletos e a falta de planejamento estratégico são, sem dúvida, um reflexo da ineficiência governamental.
A recorrência desses incidentes, como evidenciado pela paralisação em abril, reforça a necessidade urgente de uma auditoria completa e transparente nos processos do Decea, bem como de um plano de modernização com investimentos concretos em tecnologia e capacitação da equipe técnica. É preciso acabar com as desculpas e assumir a responsabilidade pela segurança do transporte aéreo, garantindo a segurança e a fluidez das operações nos aeroportos de São Paulo.









