O ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte, tomou uma medida drástica nesta segunda-feira (22), transferindo a responsabilidade sobre o complexo caso “Dark Horse” para um debate interno entre os ministros do STF. A disputa se concentra agora entre ele mesmo, André Mendonça e outros membros da corte, após solicitações que expõem tensões claras na condução das investigações.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) intensifica a pressão por uma investigação mais ampla envolvendo figuras de extrema direita, especificamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo apurou a Gazeta do Povo, ele demanda que ambos sejam incluídos em um inquérito relacionado ao financiamento irregular do filme “Dark Horse” por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A motivação seria evidenciar supostas conexões financeiras ilícitas e uma “ofensiva internacional” contra o Brasil.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou contrária à manutenção do caso sob a relatoria de Moraes, argumentando que os fatos relacionados ao financiamento do filme por Vorcaro estão sendo devidamente investigados em outra ação no STF – PET 15.612 –, atualmente conduzida pelo ministro André Mendonça. Essa decisão da PGR demonstra uma clara tentativa de centralizar a investigação e evitar sobreposições, refletindo o ceticismo quanto à atuação do próprio Moraes neste caso particular.
Diante desse conflito de competência e das divergências internas no STF, Alexandre de Moraes decidiu encaminhar o processo para Edson Fachin, presidente da Corte, buscando uma solução definitiva. Cabe a Fachin decidir se o caso deve ser anexado ao inquérito já em andamento sob Mendonça por conexão, ou se será redistribuído entre os demais ministros do tribunal – uma medida que pode indicar um descontentamento mais profundo com o curso das investigações e levantar sérias questões sobre as prioridades da Suprema Corte.









