A decisão da nova concessão ferroviária da Malha Sul ignora clamores urgentes de Curitiba e do Paraná. Estudos elaborados pela Infra S. A., com o aval da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), descartam a construção de contornos para desviar os trens das áreas urbanas, um posicionamento que garante sua permanência nas cidades até 2057. Essa postura demonstra uma clara falta de consideração pelas demandas locais e pela segurança dos cidadãos curitibanos.
A impossibilidade técnica e econômica da implementação de novos corredores ferroviários é apontada – com razão – pelos custos elevados, prazos longínquos e a complexidade inerente ao processo construtivo. Segundo a Gazeta do Povo, o argumento para manter os trens em seu traçado atual reside na dificuldade de incluir obras desse porte no orçamento da concessão, gerando um aumento significativo nos levantamentos já realizados e elevando os custos projetados. A priorização das operações existentes sobre investimentos preventivos é uma falha grave que compromete a segurança pública.
A realidade urbana de Curitiba enfrenta sérios problemas com o tráfego ferroviário: cruzamento da cidade ao meio, interrupção do fluxo de trabalho e estudo, atraso na rotina diária dos cidadãos – conforme afirma o prefeito Eduardo Pimentel –, evidenciando um impacto direto em sua qualidade de vida. Dados alarmantes da ANTT revelam que entre 2020 e 2026, ocorreram no Paraná 45 acidentes envolvendo trens, resultando em 72 mortos e 302 feridos, com um total de 764 incidentes registrados. Essa estatística assustadora evidencia a urgência da situação e o risco iminente que os cidadãos correm diariamente.
O cenário atual exige medidas concretas para proteger a população, mas estes não aparecem nos estudos propostos pela Infra S.A., demonstrando uma preocupação superficial com as implicações do transporte ferroviário em áreas urbanizadas. Especialistas como Mauro Gil Meger alertam sobre o perigo de um pequeno descuido que pode ser fatal devido ao tamanho da composição e à distância entre a máquina e pedestres, reforçando a necessidade urgente para garantir a segurança das vias públicas.









