A esposa do desembargador aposentado Divoncir Maran, Viviane Alves Gomes de Paula, se envolveu em um escândalo de corrupção envolvendo o uso de dinheiro vivo para financiar a construção de uma mansão de luxo, levantando sérias questões sobre a integridade da Justiça. Segundo a Revista Oeste, as investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que a reforma da residência, avaliada em mais de R$ 2,1 milhões, foi financiada exclusivamente com repasses em espécie, um método que visa evitar o rastreamento financeiro e, consequentemente, a fiscalização.
A apuração do caso, conforme a Revista Oeste, começou a desvendar uma teia de irregularidades. Mensagens interceptadas pela polícia mostram que Viviane Alves, com comportamento disfarçado, combinava encontros e andava com maços de dinheiro na bolsa, evitando transações bancárias e o rastreamento por cartões de crédito. Em um diálogo específico, ela cobrava um desconto para quitar uma compra de R$ 40 mil em dinheiro vivo, evidenciando a disposição em burlar o sistema financeiro. A utilização de veículos para realizar as entregas, visando escapar de câmeras de vigilância, demonstra uma clara tentativa de obstruir a investigação.
O caso se agrava com o acerto para a montagem de móveis planejados da residência, no valor de R$ 650 mil, sendo que Viviane solicitava que o prestador de serviço recebesse as notas na calçada do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), onde ela trabalhava. A Polícia Federal confirmou, em seu relatório técnico, que a origem de todo o dinheiro utilizado na construção permanece inexplicável. Este comportamento, aliado a outros fatos, demonstra uma clara desconsideração com a lei e com o erário público.
A situação se complica ainda mais com o histórico do desembargador Divoncir Maran, que, em 2021, concedeu o habeas corpus que permitiu a liberdade do megatraficante Gerson Palermo, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), e que, logo após, escapou da prisão domiciliar durante o feriado de Tiradentes em 2020. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já havia punido Maran com a aposentadoria compulsória, devido à sua atuação na soltura do criminoso, condenado a 126 anos de reclusão. A defesa do casal negou qualquer irregularidade, mas a complexidade das evidências e a forma como o dinheiro foi utilizado, revelam uma grave falha na condução da Justiça.









