Criado em 2003, o Bolsa Família persiste como um dos programas sociais mais duradouros da história brasileira, resistindo a diversas mudanças governamentais e adaptações orçamentárias. No entanto, a longevidade não garante eficácia, e o Brasil enfrenta a necessidade de avaliar criticamente o desempenho deste programa.
O agronegócio, setor fundamental para a economia nacional, recentemente sentiu os efeitos de uma falha estrutural. A bancada ruralista, por meio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), apresentou o Projeto de Lei 715/2023, aprovado na Câmara em 19 de maio, que agora aguarda sanção presidencial. Segundo a Revista Oeste, o texto garante que a renda proveniente de contratos de safra não seja considerada na renda familiar do beneficiário.
O senador Jaime Bagattoli (PL-RO), vice-presidente da FPA e relator do projeto no Senado, estimou que a medida resultou em uma carência de mais de 800 mil empregos, distribuídos pelo país, devido à diminuição de trabalhadores rurais temporários, como os safristas. A iniciativa, embora necessária para corrigir uma distorção, apenas cria uma exceção, sem abordar as raízes do problema.
Com 18,7 milhões de famílias beneficiárias, o Bolsa Família alcança quase um quarto da população brasileira, um número alarmante considerando que o país não conseguiu reduzir a necessidade de auxílio após duas décadas. A situação se agrava com a crescente dependência do programa, que desestimula a busca por emprego e obriga o Congresso a legislar para amenizar as consequências de sua própria falha.









