O governo colombiano expôs, neste sábado, a tentativa clara de interferência do presidente equatoriano, Daniel Noboa, nas eleições presidenciais que decidirão o futuro do país. A acusação, formalizada por Bogotá, surge em um momento crítico da campanha, véspera do pleito que escolherá o sucessor de Gustavo Petro.
Segundo a Revista Oeste, Noboa, em uma jogada audaciosa, anunciou a retirada de uma taxa de segurança sobre importações colombianas após uma conversa com Abelardo de la Espriella, candidato de direita e um dos favoritos nas pesquisas. O presidente equatoriano justificou a medida com a intenção de fortalecer a cooperação contra o narcoterrorismo, uma tática que, na visão de Bogotá, desfigura o seu fundamento jurídico e institucional. A decisão, segundo o governo colombiano, ignora obrigações internacionais e alertas do Fundo Monetário Internacional sobre os impactos negativos das restrições comerciais.
A gestão de Gustavo Petro não poupou críticas, classificando a atitude de Noboa como uma “flagrante violação do princípio de não intervenção nos assuntos internos” e uma ameaça à soberania nacional. O governo colombiano enfatiza que decisões comerciais com impacto sobre trabalhadores, empresas e populações fronteiriças devem ser guiadas exclusivamente por critérios técnicos, jurídicos e institucionais, e não por considerações político-eleitorais. A Revista Oeste apurou que a intenção da Colômbia é proteger suas fronteiras e combater o crime, prioridades que, para Bogotá, são desconsideradas pelas ações de Noboa.
Diante da escalada da disputa comercial, que teve início em janeiro com a imposição de sobretaxas de até 100% sobre importações colombianas por Quito, Bogotá anunciou que também revogará as medidas retaliatórias contra o Equador, incluindo tarifas sobre produtos equatorianos, buscando restabelecer a simetria nas relações econômicas bilaterais. A situação demonstra a crescente tensão entre os países andinos e a preocupação com possíveis interferências em processos democráticos.









