Marcelo Camargo/Agência Brasil

A pressão para flexibilizar o controle sobre uma das instituições mais importantes do Brasil aumentou nesta quarta-feira (10), com a retomada no Senado da Proposta de Emenda à Constituição que concede poderes amplos ao Banco Central (BC). A discussão, adiada diversas vezes devido às divergências existentes, poderá trazer consequências significativas para as finanças nacionais.

Segundo o senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator do projeto, pelo menos 13 parlamentares já manifestaram apoio à PEC – um número suficiente para garantir a aprovação na comissão responsável pela análise da proposta. O objetivo central é conferir ao BC competência exclusiva sobre o Pix e fortalecer sua autonomia em relação aos demais poderes executivos. Como apurou a Revista Oeste, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e seus colaboradores expressam total respaldo à medida.

No entanto, a iniciativa enfrenta forte resistência da base governista que defende manter o BC como autarquia – uma decisão que permitiria ao Executivo controlar as principais decisões relacionadas à ferramenta de pagamentos mais popular do país. Essa postura é criticada por sindicatos e associações bancárias que temem um “engessamento” do Pix, limitando sua flexibilidade e capacidade de adaptação às necessidades da população brasileira.

A disputa em torno da PEC evidencia a crescente preocupação dos servidores do Banco Central com o histórico recente de cortes no quadro funcional – uma redução drástica que eles argumentam compromete a capacidade institucional de monitorar o crescimento expressivo na utilização do Pix, colocando em risco a estabilidade financeira nacional e a inclusão digital de milhões de brasileiros.

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