Em Curitiba, um fenômeno preocupante se intensifica: o número de moradores solteiros ultrapassa alarmantemente as marcas registradas no restante do país. Dados recentes divulgados pelo IBGE revelam que cerca de um quarto dos domicílios da capital paranaense são ocupados por apenas uma pessoa – 25%, superior aos valores registrados em todo o Paraná (21,5%) e no Brasil como um todo (22,6%). Essa tendência isolacionista exige atenção.
O mercado imobiliário tem respondido de forma imediata a essa mudança demográfica significativa. A Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), por meio de levantamento da Brain Inteligência Estratégica, aponta que quase 70% dos lançamentos verticais em Curitiba durante o primeiro trimestre de 2026 se configuram como estúdios e apartamentos compactos. Essa escolha reflete uma realidade social complexa, com jovens buscando autonomia ou pessoas optando por manter sua independência após adiados planos matrimoniais.
O aumento do número de indivíduos morando sozinhos é um reflexo das transformações sociais em curso na sociedade brasileira. Como apurou a Gazeta do Povo, o cientista social Cezar Bueno de Lima, professor no Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Políticas Públicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), destaca que essa mudança se deve ao adiamento do casamento por parte dos indivíduos, à busca crescente pela autonomia pessoal e ao envelhecimento populacional. O modelo familiar tradicional, outrora a norma social, perdeu sua influência dominante.
Experiências como as de Ana Luiza Mayumi Taguti, 23 anos, que deixou o interior em busca de oportunidades em Curitiba, ou Guilherme Marcelino Luiz, de 27 anos – ambos optando por morar sozinhos desde tenra idade –, ilustram essa nova dinâmica social e a valorização da independência. Como ressaltou Wallisten Passos Garcia, professor de Psicologia na PUCPR, o simples fato de ocupar um domicílio sozinho não implica necessariamente em sentir-se solitário; uma vida social ativa pode mitigar esse sentimento, demonstrando que o isolamento é subjetivo e depende do indivíduo.









