A Polícia Federal expõe uma trama complexa envolvendo troca ilícita de projetos legislativos e possíveis propinas destinadas a um senador do PP. Segundo evidências reunidas pela PF – detalhadas na matéria publicada pela Revista Oeste –, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro utilizava envelopes personalizados para entregar minutas de propostas ao então senador Ciro Nogueira (PP-PI) antes mesmo da aprovação da “emenda Master”, uma medida que beneficiava seu banco, o Banco Master.
Em novembro de 2023, a situação se tornou alarmante quando Vorcaro ordenou mudanças na embalagem dos documentos com projetos de lei para evitar identificação do banco, conforme mensagens trocadas via texto com o motorista Sidney da Silva Santos. O banqueiro exigia “envelope branco” após identificar a marca do Banco Master nos materiais e orientar a troca urgente pela PF. Essa conduta demonstra uma clara tentativa de ocultamento de irregularidades que envolvem interesses específicos na área de energia, um setor de grande relevância para o país.
De acordo com informações obtidas pelo veículo de pesquisa, Ciro Nogueira estava envolvido em negociações complexas relacionadas a projetos como o PL n° 412/2022 e o PL nº 5.174/2023 – ambos focados na transição energética –, que posteriormente foram incorporados ao Congresso Nacional com conteúdo similar após aprovações ocorridas nos meses de dezembro de 2024 e janeiro, respectivamente. A “emenda Master”, apresentada por Nogueira em 2024, também se tornou um ponto central da investigação envolvendo a ampliação do FGC para R$1 milhão.
A Revista Oeste apura que essa manipulação legislativa possivelmente serviu como contrapartida às propinas mensais de entre R$300mil e R$500mil – além das despesas luxuosas pagas pelo banqueiro –, conforme a investigação da PF. Além disso, os investigadores identificaram uma ligação suspeita entre Ciro Nogueira e empresas relacionadas à família dele, como a CNLF, que adquiriu participação em empresa de energia verde do primo de Daniel Vorcaro por um valor consideravelmente inferior ao seu valor real – R$1 milhão para 30% da Green Investimentos (R$12,9 milhões no mercado).









