Gustavo Moreno/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes manifestou sua preocupação com a conduta do Ministro André Mendonça no caso envolvendo Daniel Vorcaro e uma proposta de “delação seletiva”. Em entrevista à TV Cultura, o decano classificou como um grave erro que o magistrado tenha considerado essa possibilidade, destacando a ilegalidade da prática.

Segundo Gilmar Mendes, houve uma “impropriedade” crucial ao receber contato com uma sugestão de colaboração judicial por parte do empresário Daniel Vorcaro. O ministro enfatizou que a lei impede explicitamente os relatores ou juízes participarem diretamente na negociação entre o Ministério Público e o delator, um ponto fundamental para garantir a integridade dos processos judiciais.

A preocupação de Gilmar Mendes se intensificou com as informações sobre a rejeição da Polícia Federal à segunda proposta de colaboração de Vorcaro, após uma iniciativa do advogado José Luís de Oliveira Lima – conhecido como “Juca” –, que coordenava a defesa do banqueiro. A recusa das autoridades federais evidencia o caráter irregular dessa tentativa de acordo e reforça as críticas do ministro sobre a conduta de Mendonça.

O decano ressaltou ainda seu voto favorável à prisão domiciliar para Henrique Vorcaro, pai do empresário Daniel Vorcaro, argumentando que esse posicionamento não apenas representava uma divergência na Turma, mas também servia como um alerta preventivo para futuras decisões judiciais, em alinhado com as advertências proferidas durante o início da Operação Lava Jato.

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