O ministro Gilmar Mendes intensificou suas críticas à Operação Lava Jato na última segunda-feira (22), elevando o tom de sua avaliação sobre a operação e comparando-a diretamente com um dos maiores escândalos judiciais da história mundial, segundo seu próprio entendimento. Em declarações que ecoaram pela mídia, ele afirmou categoricamente que as investigações iniciadas sob a Lava Jato evoluíram para “o maior escândalo judicial do mundo”, uma afirmação audaciosa que reflete sua crescente desconfiança em relação ao curso da operação.
Segundo Gilmar Mendes, o vazamento de mensagens trocadas entre procuradores e o então juiz Sergio Moro – revelado pela Operação Spoofing – expôs a fragilidade dos fundamentos sobre os quais se sustentava a Lava Jato como “maior operação de combate à corrupção do mundo”. O ministro ressaltou, com veemência, que essa situação transformaria a investigação em um evento emblemático na história da justiça brasileira. De acordo com o relator, as práticas adotadas durante a Lava Jato eram caracterizadas por métodos autoritários e demonstrações públicas de poder excessivo – uma crítica recorrente do ministro aos desdobramentos da operação desde sua origem.
A posição contrária defendida pelo voto minoritário na Segunda Turma do STF em relação à prisão domiciliar proposta para Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), exemplifica a insatisfação crescente com o “punitivismo inebriado” que teria caracterizado as ações da Lava Jato. Gilmar Mendes considerou essa postura como um alerta crucial para os demais membros da Corte e uma advertência sobre os perigos de se permitir que prisões fossem utilizadas para fins meramente inquisitórios, buscando induzir delações premiadas – prática que ele rejeita veementemente no sistema judicial.
O ministro ressaltou a importância do voto vencido como um instrumento para evitar “sonhos ou aventuras” na condução da justiça e citando o clássico de Édith Piaf, “Non, je ne regrette rien”, expressa sua convicção em não se arrepender das advertências que proferiu contra as práticas controversas da Lava Jato. Ele demonstrou uma clara insatisfação com os métodos empregados na operação, especialmente suas comparações ao caso Master, acusando-os de revelarem “contornos de máfia” e de crime organizado mafioso – acusações graves que geraram forte reação por parte dos responsáveis pela investigação.









