Nancy Siesel/ZUMA Press Wire/Reuters

A aliança entre Israel e Estados Unidos transcende as simples relações governamentais. A postura do governo durante a presidência Donald Trump com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu passou por um período de tensões que pareciam surpreenderem diante dos elogios mútuos recebidos após o acordo para liberar os reféns em 2025, momento em que essa parceria se manifestava plenamente. Essa situação não era inédita: Henry Kissinger, secretário de Estado durante a administração Nixon (1969–1974), já enfrentou dificuldades ao obter apoio do então primeiro-ministro Golda Meir para Israel durante a Guerra do Yom Kipur em 1973.

A relação também se deteriorava com governos como o de Ronald Reagan na invasão do Líbano (1982) e com Ariel Sharon, seu ministro da Defesa, um líder linha-dura. Da mesma forma que George H. W. Bush pressionou Yitzhak Shamir na década de 1990 em razão da expansão dos assentamentos israelenses no território palestino ocupado. Em 2015, Benjamin Netanyahu discursou perante o Congresso americano contra o acordo nuclear negociado com o Irã pelo então presidente Barack Obama, evidenciando as divergências entre os dois países e suas políticas regionais.

Apesar das disputas em gabinetes, a realidade nos Estados Unidos e Israel demonstra uma forte conexão que se perpetua ao longo do tempo. Desde os primeiros judeus chegando à colônia holandesa de Nova Amsterdã (atual Nova York) em 1654 – vindos inicialmente de Recife após o controle português na Holanda –, um vínculo duradouro foi estabelecido. Asser Levy, que chegou a agosto daquele ano, antes ou junto do grupo mais conhecido com seus 23 membros provenientes também de Recife, é considerado o precursor da inserção judaica naquela sociedade norte-americana.

Levy lutou por direitos civis em uma colônia onde inicialmente existiam restrições aos judeus – como a proibição de ocupar terras –, e conseguiu obter tratamento igualitário após recorrer às autoridades da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, que acabou permitindo sua permanência sob limitações. A partir desse momento, a comunidade judaica se integrou gradualmente, culminando na criação do American Jewish Committee (AJC) em 1906 – uma organização de direitos civis e defesa dos interesses da comunidade judaica nos EUA –, que hoje desempenha um papel crucial nas relações entre os dois países.

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