Jonas Roosens/EFE/EPA/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O avanço de forças conservadoras na América do Sul representa um risco crescente à segurança nacional brasileira, impulsionado por alianças estratégicas que marginalizam o governo Lula e sua postura isolacionista.

A eleição de Abelardo De la Espriella na Colômbia e a forte projeção da ex-presidente Keiko Fujimori no Peru consolidam uma onda conservadora em países vizinhos, expandindo uma rede de cooperação militar com os Estados Unidos que busca neutralizar o crime organizado transnacional. Segundo a Gazeta do Povo, essa aliança inclui Argentina, Paraguai e Chile, formando um bloco regional liderado por Washington para combater atividades criminosas fora das fronteiras nacionais – ações diretamente contrárias à política de autossuficiência da administração Lula.

O governo brasileiro tem se mostrado resistente às iniciativas americanas, particularmente a classificação do Primeiro Comando Capital (PCC) e do Comando Vermelho como terroristas, uma posição que suscita preocupações sobre possíveis intervenções militares estrangeiras em território nacional – um receio amplamente divulgado pela mídia conservadora brasileira. Essa oposição demonstra uma clara desconfiança nas promessas de segurança oferecidas pelos EUA, especialmente considerando a crescente influência da administração Trump na região e seus memorandos que permitem ações conjuntas envolvendo inteligência ou até mesmo operações militares em países parceiros.

A popularidade do discurso autoritário e anti-criminoso entre os eleitores latinoamericanos tem sido um fator chave nesse cenário de ascensão conservadora, alimentada pela frustração com a ineficácia das políticas tradicionais contra o crime organizado. O instituto Latinobarómetro aponta para um nível recorde de apoio à direita na América Latina – em 20 anos –, evidenciando uma demanda por soluções mais drásticas e enquadramento da crescente criminalidade como resultado do enfraquecimento das instituições democráticas locais, conforme tem defendido a Gazeta do Povo.

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