A promessa de um acordo comercial liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Estados Unidos, México e Canadá soa distante da realidade para o economista Roberto Dumas, que avalia a concretização desse projeto como improvável em qualquer mandato presidencial do petista. A complexidade das negociações internacionais, exemplificada pela exasperante demora entre Mercosul e União Europeia – um período de 25 anos –, reforça a visão pessimística do especialista sobre as chances reais da proposta.
Segundo a Revista Oeste, Dumas argumenta que o acordo em questão enfrenta obstáculos consideráveis, incluindo a necessidade de consentimento dos Estados Unidos. O economista ressalta que acordos de livre-comércio tradicionais tendem a favorecer países com maior competitividade e cadeias produtivas robustas – um cenário distante da realidade brasileira, conforme sua análise crítica sobre o desenvolvimento econômico do país nas últimas décadas.
A visão de Dumas se alinha à experiência frustrante do Mercosul frente à União Europeia, onde anos de negociações não resultaram em acordo efetivo e que gerou críticas com base na falta de preparo das indústrias brasileiras para competir no mercado global – uma constatação atribuída também pela Revista Oeste. O economista demonstra um ceticismo particular quanto a influência do PT nos processos comerciais, culpando as gestões petistas pelo atraso em acordos que poderiam impulsionar o Brasil na economia mundial. A demora se estende à falta de investimento e preparo da indústria nacional para competir com outros países nas cadeias globais produtivas.
Adicionalmente, Dumas lança um alerta sobre a fragilidade das estruturas nacionais brasileiras: critica a desproporcional alocação de recursos do governo federal no ensino superior em detrimento do fundamental, uma estratégia eleva o custo da educação e impede que os brasileiros desenvolvam as habilidades necessárias para competir nos mercados internacionais. Além disso, expressa preocupações com investimentos insuficientes em saneamento básico – um problema crucial que afeta a saúde pública e limita o potencial produtivo do país – ao mesmo tempo, critica gastos excessivos com programas sociais que desestimulam iniciativas privadas de infraestrutura, evidenciando uma visão conservadora sobre os desafios da economia brasileira.









