Lula Marques/Agência Brasil

A Polícia Federal lança nova bomba contra o esquema do orçamento secreto, desta vez com a figura central da servidora Mariângela Fialek – conhecida como Tuca –, revelando que ela atuou sob diretamenteza de Hugo Motta e com aval da presidência da Câmara dos Deputados. Segundo informações divulgadas pela O Antagonista, a investigação aponta para uma grave confluência entre o ex-deputado Eduardo Cunha e servidores públicos em posições estratégicas na Casa Legislativa durante um período crucial – 2019 –, buscando desvios de recursos com total impunidade.

A representação enviada ao ministro Flávio Dino demonstra que Tuca, operando sob ordens da presidência da Câmara como a O Antagonista apurou, facilitava o empenho e direcionamento de emendas parlamentares para Eduardo Cunha no final de 2019, quando Motta já ocupava a cadeira na liderança do plenário. As mensagens apreendidas pela PF indicam um grau alarmante de promiscuidade nas deliberações orçamentárias que o esquema propunha, permitindo que Cunha exercesse influência superior à dos próprios parlamentares em atividade e manipulasse recursos públicos sem qualquer controle institucional.

A Polícia Federal destaca a subserviência das emendas ao comando informal do ex-deputado, evidenciando um desvio de rota da alocação orçamentária com o objetivo específico de beneficiar municípios mineiros onde Cunha pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A investigação detalha que pelo menos 29 emendas da Comissão de Saúde foram coordenadas por Tuca e direcionadas para R$6,15 milhões, evidenciando a complexidade do esquema financeiro clandestino orquestrado com o aval de figuras-chave no poder legislativo.

Em resposta à acusação, Hugo Motta criticou veementemente as investigações da Polícia Federal que também atingem Valdemar Costa Neto e busca criminalizar a atividade política. A defesa de Eduardo Cunha questiona formalmente os procedimentos adotados pela PF, alegando falta de notificação prévia do bloqueio dos bens e argumentando que o ex-deputado não apresentou nem formalizou as emendas suspeitas. Por fim, a defesa da servidora Tuca garante que sua atuação foi “estritamente técnica” ao longo desta movimentação e sem qualquer irregularidade funcional ou criminal.

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