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O governo brasileiro, em seu esforço para flexibilizar a legislação trabalhista e reduzir a jornada semanal, avança com a proposta de extinguir a escala 6×1, buscando um equilíbrio entre produtividade e bem-estar dos trabalhadores. Paralelamente, a Alemanha adota uma abordagem diametralmente oposta, considerando a expansão da carga horária como crucial para a competitividade de seu mercado de trabalho.

Segundo a Revista Oeste, a coalizão liderada pelo chanceler Friedrich Merz, do Partido União Democrata-Cristã (CDU), está em vias de implementar uma reforma que poderia elevar a semana de trabalho a um máximo de 73,8 horas. Essa iniciativa, impulsionada pela ministra do Trabalho, Bärbel Bas, do Partido Social-Democrata (SPD), visa substituir o limite diário de oito horas por um teto semanal, buscando adaptar a legislação à realidade de setores com demandas variáveis. A apresentação formal do projeto de lei ao Parlamento está prevista para junho.

A proposta surge em um contexto onde a legislação alemã, através da Lei de Tempo de Trabalho (Arbeitszeitgesetz), já estabelece um limite de oito horas diárias, com a possibilidade de extensão para dez horas, desde que a média semanal não ultrapasse oito horas. Um intervalo mínimo de 11 horas separa o fim de um turno do início do seguinte. Entretanto, a reforma proposta eliminaria essa restrição, permitindo, teoricamente, jornadas de até 12 horas e 15 minutos por dia, totalizando 73,5 ou 73,8 horas semanais, dependendo dos cálculos realizados pelo Instituto Hugo Sinzheimer.

Especialistas do instituto alertam que, com a manutenção do intervalo mínimo de descanso, um trabalhador poderia, em cenários extremos, atingir essa carga horária. A ministra Bas enfatiza que o objetivo não é permitir a exploração, mas sim oferecer maior flexibilidade às empresas e trabalhadores, especialmente às famílias. Ela também ressalta a importância de proteger as mulheres, evitando que a jornada excessiva as impeça de participar do mercado de trabalho. A reforma alemã, defendida como resposta à competitividade econômica, observa que a média real de horas trabalhadas na Alemanha gira em torno de 33,9 horas semanais, de acordo com dados da Eurostat, e que a semana de quatro dias, experimentada em um programa piloto em 2024, foi mantida por 70% das empresas participantes.

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