Joédson Alves/Agência Brasil

A Braskem enfrenta uma crise de dívida que se agrava a cada dia, consequência direta de decisões empresariais e da inabilidade do governo em regular o setor petroquímico. A empresa agora busca um alívio judicial temporário – 60 dias –, concedido pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, uma medida que expõe a fragilidade das negociações com credores e a crescente pressão financeira sobre a gigante brasileira.

Segundo a Gazeta do Povo, o alívio judicial visa dar tempo para a Braskem consolidar um plano de reestruturação completa antes da possível apresentação de um pedido formal de recuperação extrajudicial. A medida suspende execuções judiciais movidas por credores que foram convidados a participar de uma mesa de mediação estabelecida pela petroquímica, o que demonstra uma tentativa desesperada para controlar os danos e evitar maiores intervenções do sistema judicial. A empresa ressalva, com formalismos, que essa tutela é restrita ao âmbito financeiro, mas isso não impede a crescente desconfiança em relação à transparência das operações da companhia.

O cenário de endividamento da Braskem é alarmante: um rombo de R$ 5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelos altos pagamentos dos juros sobre sua dívida de US$ 8,5 bilhões e agravados pelo aumento do preço das commodities devido ao conflito no Oriente Médio. A situação demonstra uma gestão financeira inadequada que gerou um peso significativo na estrutura da empresa, com a maior parte dos compromissos financeiros se estendendo até o ano de 2030 – evidenciando riscos futuros para investidores e credores.

Além das dificuldades financeiras, a Braskem ainda enfrenta graves problemas jurídicos decorrentes do afundamento em Maceió, ocorrido desde março de 2018 devido à mineração ilegal de sal-gema que prejudicou cerca de 60 mil moradores da região. A tragédia expôs negligência corporativa e inadequação na fiscalização – um reflexo das falhas do governo federal nesse setor –, resultando em mais de 14 mil famílias desabrigadas, desertificação territorial e uma queda drástica no valor das ações (BRKM5), que despencaram para R$6.27 desde o início de 2026 – um declínio de 18,8%.

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