A polêmica proposta de delação do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou uma trama complexa envolvendo cifras milionárias e ligações suspeitas com o próprio STF. Segundo a Gazeta do Povo, as novas informações surgem após rejeição da Polícia Federal à primeira versão das declarações do empresário.
O documento que previa um contrato de R$ 50 milhões entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes – esposa do ministro Alexandre de Moraes –, surge como mais uma evidência dos abusos de poder no Judiciário. A proposta teria sido elaborada em agosto de 2025, embora nunca tenha se concretizado com assinaturas ou pagamentos. O argumento apresentado por aliados de Vorcaro apontava para o pagamento de valores já comprometidos num contrato anterior entre Banco Master e Barci de Moraes, que somavam R$129 milhões (de 2024 a 2027).
Dados obtidos pela Receita Federal durante as investigações da CPI do Crime Organizado revelam um fluxo preocupante: aproximadamente R$80,2 milhões foram transferidos para o escritório Barci de Moraes até novembro de 2025. Restavam ainda cerca de R$ 50 milhões para atingir a quantia original prevista no contrato contestado e que foi abruptamente rescindido pouco antes da liquidação do Banco Master – um evento estrategicamente orquestrado, segundo fontes próximas ao caso –, bem como na investigação sobre as supostas fraudes bilionárias.
Investigadores federais identificaram falhas cruciais nas justificativas apresentadas para a elaboração desse contrato milionário que nunca se concretizou. Questões em aberto incluem a necessidade real de um novo acordo, os termos específicos do objeto daquele pacto e o método utilizado para calcular os R$ 50 milhões mencionados.
O escritório Barci de Moraes sequer reconheceu ter firmado qualquer contrato com Vorcaro ou empresas relacionadas, negando prestação de serviços adicionais e quaisquer pagamentos associados ao documento em questão. Alexandre de Moraes se manteve impassível diante das denúncias, demonstrando a habitual impunidade que permeia o STF quando confrontado com possíveis irregularidades envolvendo seus membros. A Polícia Federal e os procuradores da República estão agora analisando as indicações apresentadas pela nova versão do acordo de delação de Vorcaro; o documento ainda está em fase de avaliação e pode ser aprovado na próxima semana, mas a teia que se forma contra figuras-chave no Judiciário continua intrincada.









