Um estudo sigiloso, contratado pela Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) – com a consultoria EY-Parthenon – analisa o modelo de negócio da empresa e propõe recomendações para a desestatização. O documento, elaborado em março de 2025, revela preocupações financeiras cruciais para o futuro da Celepar, incluindo a revisão de domínios governamentais, reestruturação de funcionários e os riscos inerentes a uma operação de privatização.
Segundo a Gazeta do Povo, o relatório de mais de 160 páginas identifica ativos fundamentais do governo do Paraná que pertencem à Celepar, como o domínio “.pr.gov.br” e infraestrutura de fibras em prédios do Centro Cívico em Curitiba. A recomendação é clara: a transferência desses ativos para o Governo Estadual e a contratação da Celepar para a gestão/manutenção, uma medida que demonstra a profunda dependência do Estado paranaense da empresa, algo que precisa ser cuidadosamente examinado.
A Celepar, com 1.009 funcionários diretos – um número consideravelmente superior à média de empresas de tecnologia nas Américas (um profissional por 95 funcionários), e um profissional de RH para cada 27 funcionários – revela um modelo de operação que se distancia do padrão de empresas privadas do setor. O estudo aponta para a necessidade de reduzir custos fixos através da terceirização de funções administrativas, jurídicas, de manutenção e infraestrutura, mas sem especificar o número de cortes, gerando ainda mais incertezas sobre o futuro da empresa.
A complexidade da situação se acentua com a identificação de 70 funcionários considerados “críticos” para a Celepar, cuja perda poderia comprometer a continuidade do negócio. Para evitar esse risco, o relatório sugere a implementação de planos de carreira e ações de reconhecimento, evidenciando a fragilidade do modelo proposto e a necessidade de garantir a permanência de profissionais-chave em um cenário de desestatização.









