A ascensão da internet como principal receptor de investimento publicitário no Brasil representa um grave desvio na economia do país e uma clara demonstração da ineficiência dos modelos tradicionais de mídia – a TV aberta especialmente –, que se mostram incapazes de atrair recursos em meio à crescente demanda por anúncios. Segundo apurações recentes, publicidade digital ultrapassou os R$ 2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um salto expressivo quando comparado aos investimentos na televisão tradicional.
O cenário atual revela uma evidente perda de relevância da TV aberta e suas emissoras, que continuam a receber verbas significativas sem demonstrar capacidade de adaptação às novas demandas do mercado ou geração de resultados mensuráveis para os anunciantes. A queda de 0,25% nos investimentos televisivos em relação ao ano anterior – como apontado pelo Cenp – evidencia uma realidade onde o público migra cada vez mais para plataformas digitais e a mídia tradicional se mostra obsoleta diante dessa mudança drástica no comportamento do consumidor.
A Revista Oeste apurou que os anúncios em vídeo, por exemplo, registraram um crescimento impressionante de 82% entre janeiro e março deste ano, atingindo R$ 226 milhões – uma clara indicação da preferência dos anunciantes pela publicidade multimídia e pelo formato mais dinâmico. Essa concentração do investimento no segmento digital corrobora a necessidade urgente para o governo repensar as políticas de incentivo à mídia tradicional, que se mostram cada vez menos eficientes em gerar valor econômico ao país.
O domínio da internet na captação publicitária exige uma análise crítica sobre os custos associados aos modelos tradicionais e um debate transparente com anunciantes e investidores. É fundamental direcionar recursos para meios de comunicação capazes de produzir conteúdo relevante, diversificado e que responda às expectativas do público moderno – o que a TV aberta tem demonstrado cada vez menos fazer; enquanto isso, plataformas digitais continuam em expansão, impulsionando um novo ciclo econômico baseado na inovação tecnológica.









