O novo ministro de Lula, José Guimarães, admitiu que o governo federal interveio para impedir a aprovação do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.
Segundo a Revista Oeste, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), que assumiu a pasta de Gleisi Hoffmann, considerou o conteúdo do relatório inaceitável, indicando que o Palácio do Planalto trabalhou ativamente para frustrar sua aprovação.
O parecer do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) previa o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes – e do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, no Caso Master.
José Guimarães declarou que “não pode ser uma CPI contra o Supremo”. A expectativa do governo era derrotar o relatório do relator, argumentando que ele não servia aos interesses do país.
O relatório de Vieira enfrentou forte resistência, tanto do governo quanto do próprio Supremo Tribunal Federal. Ministros da Corte criticaram a iniciativa, considerando-a uma tentativa de pressão institucional com motivação política.
Gilmar Mendes e Dias Toffoli, da 2ª Turma do STF, se manifestaram publicamente contra o parecer, classificando-o como “tacanho” e “abuso de poder”, respectivamente.
Outros integrantes da Corte e entidades do Ministério Público também expressaram críticas, ampliando o embate institucional em torno do caso. Alessandro Vieira defendeu o conteúdo do parecer, afirmando que os ministros do STF não são “donas do país”.
A base governista promoveu mudanças na composição da comissão da CPI, substituindo senadores favoráveis ao parecer por parlamentares alinhados ao governo. Com a nova configuração, aliados de Lula garantiram a maioria entre os membros da comissão, incluindo nomes como Fabiano Contarato (PT-ES), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Otto Alencar (PSD-BA), o que inviabilizou a aprovação do relatório final.
A rejeição do parecer encerra formalmente os trabalhos da comissão sem indiciamentos, após semanas de tensão entre Congresso, governo e Judiciário.









