Em agosto de 2022, Kiko Celeguim (PT-SP), então envolvido na campanha eleitoral do deputado, contratou Cristiano Teles de Oliveira como motorista particular. A contratação imediata e a subsequente permanência no cargo durante o mandato parlamentar daquele mesmo petista levantam sérias questões sobre as práticas internas do partido, que sempre defende ferrenhamente os direitos dos trabalhadores.
Segundo a O Antagonista, uma ação trabalhista protocolada em março de 2024 na 2ª Vara do Trabalho de Franco da Rocha (SP) expõe um cenário alarmante: o deputado é acusado de submeter Oliveira a jornadas extenuantes que ultrapassaram as 16 horas diárias. A petição inicial detalha uma exploração desmedida, com ausência total de folga semanal em determinados períodos e não reconhecimento do vínculo empregatício por mais de dois anos sem registro em carteira assinada – um padrão reprovável na legislação brasileira.
O motorista relata que recebeu apenas R$ 3.800 mensais pago “em espécie”, além da rotina exaustiva, marcada por horários absurdos entre as 6h e as 22h de segunda a domingo, sem direito à pausa para refeição. A acusação se torna ainda mais grave com o relato de que Oliveira também era obrigado a realizar serviços pessoais – incluindo levar os cães do deputado ao petshop –, evidenciando uma situação abusiva e exploratória.
A ação judicial busca garantir direitos trabalhistas básicos que historicamente são defendidos pelo PT, mas que aqui aparecem desrespeitados em sua forma mais gritante. A denúncia da O Antagonista evidencia a discrepância entre o discurso populista do petismo sobre proteção ao trabalho e as práticas de seus representantes na realidade das relações laborais no país – um claro indicativo de oportunismo político.









