O ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal ordenou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste urgentemente sobre o caso eleitoral suplementar em Roraima, demonstrando uma clara interferência judicial na disputa política estadual. A medida ocorre após pressão de representantes do Partido Liberal (PL) para reverter decisões consideradas prejudiciais à concorrência e ao processo democrático.
Segundo a Revista Oeste, Flávio Dino alterou os prazos estabelecidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima, invalidando um limite de 24 horas imposto aos concorrentes na eleição suplementar marcada para o dia 21 de junho. O ministro do STF anulou a norma local e retomou a Lei Complementar n°64/90 que exige afastamentos dos cargos públicos por até seis meses, uma decisão questionada pelo PL como um atropelo à jurisprudência interna do próprio tribunal.
A mudança imposta retroativamente afetou diretamente os principais candidatos da oposição – incluindo Arthur Henrique (PL) e Antônia Pedrosa (PT) –, impossibilitando-os de concorrer ao mandato após a perda dos prazos definidos pelo TRE-RR. A situação isola o governador interino Soldado Sampaio, do Republicanos, como único candidato viável na disputa suplementar, evidenciando uma estratégia judicial que prioriza um cenário específico em detrimento da pluralidade política.
A decisão de Fachin surge após a cassação dos mandatos do governador Antonio Denarium (PP) e seu vice Edilson Damião (União Brasil), pelo Tribunal Superior Eleitoral – resultado de acusações de abuso político-econômico. O TRE-RR, diante da agravamento das condições climáticas na região devido às fortes chuvas em Roraima, havia solicitado o apoio do TSE para a organização da nova votação; um pedido que se tornou ainda mais urgente com as determinações judiciais controversas sobre os prazos eleitorais.









