Geraldo Magela/Agência Senado

O encontro entre o presidente da Conafer e Rodrigo Pacheco, revelado pela Polícia Federal, expõe a intrincada teia de interesses que cercam as indicações para cargos-chave no INSS – um esquema com potencial para desviar bilhões do sistema previdenciário brasileiro. Segundo a O Antagonista, Carlos Lopes, figura central na Conafer, promoveu uma reunião em 1º de fevereiro de 2023, facilitada pelo então deputado federal Euclydes Pettersen e, possivelmente, com o auxílio dos acessos proporcionados por ele.

O objetivo daquela conversa era a nomeação do presidente do INSS – um ato que, na visão investigativa da PF, foi coordenado para envolver diretamente Rodrigo Pacheco, então Presidente do Senado, como parte de uma complexa operação de influência sobre as indicações. A reportagem aponta que Lopes comentou sobre as eleições nas Mesas Diretoras das casas legislativas e expressou a intenção de encontrar com o senador para definir o rumo da escolha do líder do INSS naquele momento.

A investigação detalha ainda a atuação de Euclydes Pettersen, considerado um elo fundamental no esquema que visava facilitar os contatos entre Carlos Lopes e políticos influentes – incluindo, presumivelmente Rodrigo Pacheco –, buscando direcionar as indicações para cargos estratégicos dentro da autarquia previdenciária. A PF considera Pettersen uma peça-chave nesse movimento de manipulação das nomeações do INSS em detrimento dos interesses nacionais.

Adicionalmente, a apuração policial revelou um desvio sistêmico que envolveu o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e membros da Conafer – indicados pela PF como responsáveis pelos descontos ilegais –, culminando com repasses de até R$ 250 mil mensais. A investigação demonstra, ainda, a existência de encontros frequentes entre os envolvidos em São Paulo durante o ano de 2022 e que incluíam figuras proeminente do governo como José Carlos Oliveira (“Abou Yasser”), além da identificação de Stefanutto pelo codinome “Italiano” na planilha apreendida, evidenciando sua posição de comando no esquema. O inquérito aponta para um desvio estimado em R$ 6 bilhões, decorrente das ações do ex-presidente e outros 47 investigados pela PF que supostamente obstruíam a fiscalização das entidades associativas em troca de propinas recorrentes.

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