O YouTube intensifica a batalha contra a desinformação com a implementação de um sistema automatizado de identificação de vídeos gerados por inteligência artificial, uma medida que reacende o debate sobre a liberdade de expressão e a regulamentação da internet.
Segundo a Revista Oeste, a gigante do vídeo anunciou nesta quarta-feira, 27, uma nova fase na sua estratégia de combate a conteúdos sintéticos, marcando uma expansão da detecção de vídeos realistas produzidos por IA. A plataforma adotará rótulos automáticos em conteúdos que apresentem alta fidelidade, visando diferenciar o conteúdo genuíno do artificial. Essa ação ocorre em um contexto de crescente preocupação com a proliferação de deepfakes e a manipulação da informação.
A empresa posicionará o aviso de material com IA em um local de destaque, mas vídeos classificados como “irrealistas, animados ou levemente alterados” manterão o rótulo na descrição, com menor visibilidade. O YouTube se reserva o direito de tomar medidas contra usuários que não declarem o uso de IA, um ponto que levanta questões sobre o controle da informação e a responsabilidade dos criadores de conteúdo. A iniciativa visa, em parte, alinhar-se com as determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que exige a rotulagem de conteúdos sintéticos a partir de 2024 e impõe a responsabilização solidária das redes sociais em caso de não remoção de conteúdos de risco.
O TSE proíbe deepfakes e veda a publicação de conteúdos com IA 72 horas antes da eleição. Para se adequar às exigências, o YouTube implementará “novos sinais internos para ajudar a identificar conteúdo gerado por IA”, que aplicará o rótulo de forma automática ao detectar o “uso significativo de IA fotorrealista”. Além disso, os usuários poderão alterar a classificação automática, mas a alteração se torna permanente apenas em conteúdos criados com as ferramentas do YouTube ou com metadados C2PA. A plataforma também expandiu o acesso a uma ferramenta que rastreia rostos potencialmente alterados ou criados por IA, permitindo que os usuários revisem a listagem e solicitem a remoção do material, que dependerá de análise.









