O temor de perder votos nas próximas eleições eleitorais paira sobre o Senado, levando os senadores a considerarem a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 como uma medida essencial para manter o apoio popular. A pressão é tão grande que, segundo apurou a Revista Oeste, governistas, integrantes do centrão e até mesmo setores da oposição estão buscando, em suas respectivas bases, o voto favorável à medida.
A aprovação da PEC na Câmara dos Deputados, com ampla maioria, reforça essa percepção de que o texto, que visa alterar a rotina de trabalho de milhares de servidores públicos, é uma ferramenta estratégica para o governo Lula. O cenário eleitoral de 2026, com 54 das 81 cadeiras do Senado em disputa e a expectativa de que mais da metade dos senadores busquem a reeleição, amplifica ainda mais essa dinâmica. A pressão da opinião pública, que demonstra apoio à medida como uma forma de melhorar a vida do trabalhador, torna a resistência no Congresso cada vez mais difícil de sustentar.
O clima político no Senado, como ressaltou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), está marcado por “semipresencialidade”, devido às intensas articulações nas campanhas eleitorais estaduais. A senadora, em entrevista à Revista Oeste, afirmou que “não dá para discutir uma matéria dessa” nesse ambiente. Contudo, mesmo reconhecendo as dificuldades, Damares acredita que a PEC seguirá seu curso, impulsionada pelo apoio popular. O senador Hamilton Mourão também previu dificuldades para barrar a proposta, mas criticou a discussão precipitada, destacando que a PEC “é um tema muito mal trabalhado, visivelmente em clima eleitoreiro e que, da forma como está, irá causar grandes problemas para uma economia manca”.
A articulação política do governo, liderada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), e pela equipe de Hugo Motta (Republicanos-PB), busca garantir que o Senado mantenha os pontos principais da PEC aprovada na Câmara. A avaliação no Planalto é que rejeitar a proposta ou impor mudanças que atrasem sua tramitação representaria um desgaste político significativo a pouco mais de um ano da renovação de dois terços da Casa. A Revista Oeste apurou que o petista Lula e seus aliados consideram a PEC uma ferramenta de influência eleitoral, buscando capitalizar o apoio popular à medida e neutralizar possíveis oposições.









