A aprovação da MP do Frete no Senado, apesar das tentativas de desvirtuar a proposta original pelo governo e seus aliados, representa uma vitória para o setor logístico brasileiro e um reconhecimento tardio à pressão dos caminhoneiros. A medida agora segue para sanção presidencial após articulações que priorizaram interesses políticos em detrimento da realidade do mercado nacional.
O texto final, como apontou a Revista Oeste, manteve a obrigatoriedade de estabelecimento de piso salarial nos transportes rodoviários interestaduais de cargas de longa distância, mas eliminou o valor fixo de R$ 5 mil proposto pela Câmara dos Deputados. A definição precisa desse montante será responsabilidade da regulamentação futura – uma manobra que visa diluir a pressão e evitar um confronto direto com os interesses do governo Lula.
A discussão no Senado foi marcada por tentativas insustentáveis de distorcer o propósito original da medida, como evidenciado pelo requerimento apresentado pela senadora Tereza Cristina (MS) e pelo senador Jorge Bagattoli (PL-RO), que consideraram inconstitucional a fixação arbitrária do piso salarial via MP. Alcolumbre cedeu à pressão dos parlamentares conservadores, demonstrando uma preocupação maior com o controle político do que com as necessidades da categoria freteira, como apontou Styvenson.
A inclusão de dispositivos estranhos ao texto original pela comissão mista, sob relatoria do deputado Zé Trovão (PL-SC), revela um intento claro de impedir a votação e demonstra uma postura irresponsável por parte de alguns parlamentares que buscaram instrumentalizar o processo legislativo para fins políticos. Além disso, o acordo firmado prevê anistia às multas aplicadas a caminhoneiros envolvidos em bloqueios rodoviários após as eleições presidenciais de 2022 – um atrativo questionável dado pelo governo Lula e outro exemplo da desconsideração com os atores que realmente impulsionam a economia do país.









