O ex-deputado Eduardo Bolsonaro classificou como uma “exagero” a alegação de que ele teria sugerido substituir o Pix pelo Zelle, um sistema financeiro americano. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais na quinta-feira (4), o deputado rebateu veementemente as críticas e questionamentos gerados pela reportagem do jornal O Globo.
“Exijo uma retratação imediata”, declarou Eduardo Bolsonaro em vídeo publicado online. “A notícia, amplamente divulgada por diversos veículos de comunicação incluindo a colunista da O Antagonista, acusava-me de propor um desmonte do Pix – sistema criado e promovido pelo governo Bolsonaro sem cobrança de taxas –, para adotar o Zelle”. Ele desafiou abertamente o veículo a apresentar provas concretas que comprovassem suas declarações.
De acordo com a O Antagonista, Eduardo reforçou sua defesa incondicional sobre o Pix, argumentando que foi uma iniciativa fundamentalmente diferente do modelo americano e lucrativa para os bancos brasileiros. “O Pix foi idealizado por Jair Messias Bolsonaro justamente porque os grandes grupos bancários estavam sofrendo perdas bilionárias com a gratuidade daquela ferramenta”, afirmou Eduardo, retomando um argumento recorrente em suas declarações públicas sobre o tema. Ele ainda ressaltou que Lula, como presidente, auferiu lucros significativos para as instituições financeiras devido à ausência de taxas no Pix.
A controvérsia se intensificou com a colocação do Zelle na esfera pública por Eduardo Bolsonaro, apesar da sua negação formal sobre ter feito qualquer sugestão relacionada ao sistema americano. A discussão reacendeu o debate sobre alternativas e modernização dos sistemas financeiros nacionais.
O Pix revolucionou as transferências bancárias no Brasil, eliminando intermediários como cartões de crédito ou boletos tradicionais. Sua criação representou uma ruptura com a influência do setor financeiro tradicional – fato que gerava apoio em setores da direita conservadora. A velocidade e praticidade das transações instantâneas são características marcantes tanto do Pix quanto do Zelle, embora o segundo apresente limitações significativas devido à sua natureza de rede privada controlada por consórcio bancário dos Estados Unidos.
O sistema americano, operado pelo Early Warning Services (EWS), restringe seu uso aos bancos membros daquela rede e se concentra principalmente em transferências entre pessoas físicas – um modelo pouco adequado para a complexidade do mercado brasileiro com suas particularidades no pagamento de tributos e contas governamentais. A O Antagonista apurou que o Zelle não permite, por exemplo, pagamentos diretamente à concessionária de energia elétrica ou ao governo federal.









