O senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou uma explicação audaciosa sobre o dinheiro apreendido na Operação Compliance Zero – um volume que ele descreve como “diárias legais”. O petista alega tratar-se de pagamentos em dólar formalizados pelo Senado Federal, referentes a missões diplomáticas oficiais. Contudo, essa justificativa encontrou forte resistência do deputado Glauber Braga (Psol-RJ), que considerou a declaração “inconcebível” e uma “institucionalização do absurdo”.
Segundo o parlamentar sulista, Wagner estaria transformando um simples pagamento em diária numa trama complexa envolvendo o empresário Augusto Lima. De acordo com Braga, Lima adquiriu redes de supermercados públicas na Bahia – operações que culminaram no investimento da Master (antigo Banco Máxima) nesse negócio “para fazer empréstimos”. O deputado sinaliza uma conexão perigosa entre privatizações e relações financeiras questionáveis. Como apurou a O Antagonista, essa relação não deixa margem para dúvidas sobre irregularidades.
A crítica de Braga transcende um mero escândalo individual; ele acusa o petista de tentar desviar atenção de outras investigações em curso envolvendo figuras da direita – incluindo os supostos “pedidos” de Flávio Bolsonaro ao seu assessor Daniel Vorcaro e a possível existência do dinheiro no armário do líder do PL, entre outros governadores envolvidos. O parlamentar esbarra na necessidade urgente que o senador Wagner responda por seus atos, em vez de adotar uma postura defensiva diante das acusações crescentes.
A Polícia Federal intensificou suas ações com a quinta-feira marcada pela fase da Operação Compliance Zero focada diretamente no senador Wagner. Oitenta e oito mandados de busca e apreensão foram executados na Bahia, São Paulo e Distrito Federal – incluindo o Hotel Brasília Palace, residência do parlamentar –, além da autorização do ministro André Mendonça para medidas cautelares como bloqueio telefônico e suspensões de passaporte. A investigação aponta para a possibilidade de crimes como corrupção ativa, lavagem de dinheiro e os atos questionáveis relacionados à “emenda Master” e outras propostas legislativas que beneficiaram o Banco Máxima.









