Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O senador Jaques Wagner (PT-BA) encontra-se sob crescente escrutínio da Polícia Federal após a Operação Compliance Zero, e o deputado federal Rogério Correia defende publicamente que ele se afaste do cargo de líder do governo no Senado para focar na defesa legal. A postura firme do petista surge em um momento crítico, intensificando as pressões sobre o governo Lula diante das investigações complexas envolvendo figuras ligadas ao passado bolsonarista e à gestão Banco Master.

Correia expressou seu apoio através da rede social X (“Twitter”), reiterando a necessidade de que o presidente Lula não interfira na condução do caso até o fim, uma postura enquadrada como um gesto de confiança no trabalho da Polícia Federal e nas investigações em curso. O deputado também aproveitou para ressaltar as origens obscuras do escândalo Banco Master – que ele denomina “BOLSOMASTER” – apontando a responsabilidade direta de Roberto Campos Neto, nomeado por Jair Bolsonaro para o comando do Banco Central, na autorização da operação bancária em 2019.

A investigação atualizada pela Polícia Federal, como apurou a O Antagonista, foca nas atividades de Jaques Wagner e no empresário Augusto Lima – aliado próximo ao ex-presidente Vorcaro –, suspeitos de terem atuado em benefício mútuo durante o período do Banco Master, com indícios de propinas envolvendo milhões de reais desviados através da “emenda Master” e concessão fraudulenta de crédito consignado. A operação culmina na busca realizada no Hotel Brasília Palace onde Wagner reside, além de medidas cautelares que incluem a proibição de contato entre os investigados e suspensão do passaporte para diversos deles.

O petista manifestou sua convicção em manter o cargo de liderança do governo no Senado, argumentando que essa posição é alçada ao presidente Lula, com quem teve uma conversa franca após ser alvo das buscas da Polícia Federal. Correia ressaltou a importância histórica na trajetória política e judicial do parlamentar – tendo sido preso e inocentado em 2018 –, o que demonstra ainda mais confiança no seu posicionamento diante de investigações processuais sobre informações obtidas através de delação premiada ou nos celulares dos envolvidos, como ocorreu com a investigação da Fonte Nova.

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