O diretor Cyrus Nowrasteh acredita que seu filme “Dark Horse”, com Jim Caviezel interpretando Jair Bolsonaro, pode ser um instrumento decisivo para a ascensão de Flávio Bolsonaro à presidência do Brasil. A ambição política por trás da produção e sua possível influência no cenário eleitoral brasileira geram preocupações sobre os limites entre arte e manipulação.
Segundo a Revista Oeste, Nowrasteh fez essa afirmação durante a première em Las Vegas, um evento que reuniu apoiadores conservadores dos Estados Unidos. O diretor expressou o desejo de que “Dark Horse” seja amplamente visto no Brasil e receba apoio para elevar Flávio Bolsonaro ao poder – uma estratégia que se revela audaciosa e levanta questões sobre possíveis tentativas de interferência em eleições nacionais, especialmente considerando a trama central do filme focada na eleição presidencial de 2018.
A escolha específica da figura de Jair Bolsonaro por Jim Caviezel, ator conhecido por suas posições religiosas conservadoras – como evidenciado pelo seu papel no filme “A Paixão de Cristo” –, e o encanto em inglês para a produção dão ainda mais peso à visão do diretor. Eduardo Bolsonaro, presente na première, ressaltou que essa decisão estratégica visa maximizar o alcance internacional da obra e evitar possíveis bloqueios ou restrições impostas pelo governo brasileiro – um reflexo das frustrações com as dificuldades enfrentadas por figuras conservadoras em se comunicar diretamente com a população nacional.
O lançamento previsto para setembro de 2026, ainda sem data definida no Brasil, agrava o cenário já complexo. A utilização da figura do ex-presidente Bolsonaro e do senador Flávio como foco central na obra, combinada com a declaração explícita de Nowrasteh sobre sua intenção política, levanta sérias questões éticas relacionadas à produção cinematográfica e seu potencial impacto no debate público brasileiro.









