Andressa Anholete/Agência Senado

O escândalo do Banco Master ganha contornos surpreendentes na política baiana, unindo figuras que historicamente ocupam lados opostos da arena eleitoral. Segundo a Gazeta do Povo, grupos ligados ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto – filiado União Brasil –, e ao senador Jaques Wagner (PT) teriam fechado um acordo para evitar confrontos durante o período das eleições deste ano. O pacto estabelece que nenhum dos lados mencionará diretamente o caso Master na disputa eleitoral.

Este entendimento surge em meio à intensificação de negociações desde fevereiro, com a liberação explícita para debate de todas as demais temáticas da campanha política. A lógica por trás do acordo é simples e reveladora: tanto ACM Neto quanto Jaques Wagner buscam proteger suas chances nas eleições, evitando que o escândalo ganhe força ou interfira na decisão dos eleitores baianos.

ACM Neto, pré-candidato ao governo estadual, viu seu nome associado ao banco a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontando para recebimento de R$5 milhões da instituição financeira e da gestora Reag. Apesar disso, ACM não foi alvo direto da operação policial desta quinta-feira. A defesa do petista Jaques Wagner alega que o dinheiro em espécie apreendido possui origem lícita e minimiza sua relação com Daniel Vorcaro, afirmando ter se encontrado com ele apenas duas vezes durante o período investigado.

O silêncio sobre a questão do Banco Master não restará limitado aos partidos envolvidos na negociação. O acordo também valerá para aliados de diferentes palanques. Enquanto isso, outras questões sensíveis afloram no cenário político baiano: as conexões entre Augusto Lima – ex-banqueiro e sóciodominante da operação –, e figuras do PT.

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