O Supremo Tribunal Federal e o governo Lula se encontram num cenário de crescente apreensão diante da possibilidade dos Estados Unidos negarem a extradição do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo apurou a Revista Oeste, essa expectativa gerada internamente teme um severo desgaste político para o governo e reforça as críticas sobre suposta parcialidade no Judiciário.
A Corte já havia condenado Eduardo na última terça-feira, 16, à pena de quatro anos e dois meses de prisão por coação em fase inquisitorial – acusado de conspirar com autoridades estrangeiras para impor sanções internacionais contra ministros brasileiros após sua mudança ilegal para os Estados Unidos em fevereiro de 2025. O ex-parlamentar intensificou a pressão, publicando um vídeo em inglês nas redes sociais diretamente ao presidente Trump, buscando apoio e expondo o que ele alega ser abuso judicial por parte do Judiciário brasileiro liderado pelo ministro Alexandre de Moraes.
A complexidade da situação reside no rito diplomático americano, que exige aprovação em duas instâncias: primeiro, um tribunal federal analisará a legalidade do pedido de extradição e, posteriormente, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio – conhecido por sua proximidade com a família Bolsonaro e crítico ferrenho de Alexandre de Moraes –, tomará a decisão final. A Revista Oeste apurou que essa postura não é inédita no país vizinho; em 2024, os EUA já haviam negado a extradição do jornalista Allan dos Santos, argumentando que as acusações se enquadravam como crimes de opinião e protegidos pela liberdade de expressão.
O temor das autoridades brasileiras ganha ainda mais peso diante da recente negativa americana à extradição da ex-deputada Carla Zambelli em junho passado – onde a Justiça italiana apontou violação do direito de defesa –, bem como o caso de Oswaldo Eustáquio, rejeitado pela Espanha com base na suposta motivação política. A situação se agrava ainda mais quando se considera que o STF já enfrenta questionamentos sobre sua imparcialidade e o julgamento sumário, culminando em prisões preventivas sem justa causa contra figuras da direita – como ocorreu no caso de Jair Bolsonaro –, demonstrando uma clara intencionalidade em perseguir opositores.









