Vídeos com entrevistas de moradores da Faixa de Gaza revelam que alguns civis apoiam a proposta do presidente Donald Trump de realocá-los para locais mais habitáveis fora da região, devastada pela guerra. Segundo os entrevistados, Gaza tornou-se um lugar impossível de se viver com dignidade, e a ideia de mudança para comunidades permanentes em países árabes é vista como uma chance de paz e estabilidade.
Uma estudante de Direito de 22 anos, com o rosto desfocado por segurança, declarou em entrevista ao The Daily Wire: "Temos o direito de liberdade de movimento e viagem em Gaza. Diante do sofrimento do povo daqui, a necessidade de sair tornou-se urgente, pois não é mais possível viver uma vida digna como outros povos." Ela destacou que, mesmo com o cessar-fogo, a sensação de segurança e normalidade permanece ausente. "Queremos nos sentir seguros, estáveis e viver uma vida normal", afirmou, expressando frustração com a falta de atualizações sobre o plano de Trump. "Não sabemos se ele desistiu da ideia. O mundo nos esqueceu nesta situação que não é nem guerra, nem paz."
A estudante também revelou o medo provocado pela recusa do Hamas em ceder o controle da região. "Isso nos aterroriza, porque o Hamas pode reacender a guerra, trazendo de volta o medo da morte. Somos apenas civis, não fazemos parte do Hamas e não queremos morrer", desabafou.
Outro entrevistado, um homem também com o rosto oculto, disse apoiar a emigração, desde que pudesse retornar a Gaza no futuro. "É assim que a maioria em Gaza se sente. Hoje, Gaza é inabitável. Algumas áreas estão quase destruídas, outras completamente arrasadas", explicou. Ele sugeriu que países como Qatar e Turquia, que apoiaram o Hamas, deveriam assumir a reconstrução e acolher os doentes como pacientes.
Trump abordou a crise humanitária em Gaza em uma coletiva com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu no início deste mês. Descrevendo a região como "inabitável" e um "local de demolição", ele propôs que os Estados Unidos liderem a retirada de bombas não explodidas, a demolição de prédios destruídos e a criação de uma zona de desenvolvimento econômico. Essa zona ofereceria "empregos e moradias em quantidade ilimitada" para os moradores. O presidente prevê que, após a reconstrução, Gaza poderia abrigar pessoas de todo o mundo, incluindo alguns palestinos, mas a maioria seria realocada permanentemente para outros lugares. "Acho que o potencial da Faixa de Gaza é incrível. Representantes do mundo inteiro estarão lá. Pode se tornar a Riviera do Oriente Médio", afirmou.
O homem entrevistado destacou que o Hamas rotula como traição o desejo de alguns moradores de migrar, aumentando a tragédia local. "Quem quer se mudar deveria ter liberdade para isso. Ninguém deve impedir a migração", disse. Ele criticou a decisão unilateral do Hamas de iniciar a guerra, afirmando: "O povo de Gaza, como qualquer outro, quer viver em paz, sem os tormentos da guerra." Segundo ele, se a migração for voluntária, o Hamas não terá como impedir, pois é uma escolha humana básica.
O Hamas, responsável pelo ataque de 7 de outubro que resultou em estupros, assassinatos e sequestros de mais de mil civis israelenses, rejeitou o plano de Trump. Um alto oficial do grupo declarou à Fox News que a proposta dos EUA de assumir o controle de Gaza e deslocar seus moradores é "um crime contra a humanidade".
Joseph Braude, presidente do Center for Peace Communications, que produziu os vídeos, afirmou que os entrevistados endossam a abertura das fronteiras para buscar uma vida melhor, livre de guerra. "Os gazenses estão presos pelo Hamas em condições perigosas e inabitáveis. Ignorar os apelos desesperados de homens, mulheres e crianças que querem sair voluntariamente é inadmissível", disse. Ele prevê que, com a liberação das fronteiras, haveria um êxodo em massa, comparável à queda do Muro de Berlim.
O centro, que há três anos entrevista moradores de Gaza, lançou em 2023 a série "Whispered in Gaza", com animações relatando o terror de viver sob o domínio do Hamas. Recentemente, optou por vídeos com rostos desfocados. Braude notou que, durante conflitos ativos, os entrevistados se sentem mais seguros, pois os combatentes do Hamas ficam nos túneis, não nas ruas. Em resposta à série, o Conselho Islâmico de Fatwas no Iraque emitiu uma fatwa condenando a repressão do Hamas aos gazenses, como reportado no Daily Wire.